sábado, 12 de fevereiro de 2011

Power to the people: Vitória da Revolução egípcia!

Primeiramente, parabéns ao povo do Egito pela linda revolução que fizeram, tomando consciência da sua força e, com tenacidade ímpar, resistindo e lutando por vários dias contra o ditador Hosni Mubarak, que há 30 anos governava o país.

Tivemos o privilégio de acompanhar on line o nascimento e desfecho de um movimento popular sem precedentes no mundo árabe. Pela primaira vez na história, uma revolução foi assistida e comentada pela internet como se fosse um reality show. Temos o privilégio de ver a história acontecendo na nossa frente, de vivermos uma época de grandes transformações que logo estarão nos livros de história...

Acorde, a história está sendo escrita NESTE EXATO MOMENTO!

Sinal dos tempos de globalização, nunca sairá da minha memória a transmissão ao vivo de uma mega manifestação com mais de 1 milhão de pessoas, na agora mundialmente conhecida Praça Tahir (Cairo), feita pela Tv Al Jazeera, cujo link peguei pelo twitter. Fantástico!!!


Duas questões se destacam neste processo revolucionário, o papel da internet e das redes sociais como importante meio de difusão do movimento, e os rumos que o Egito e o mundo árabe tomarão após esta surpreendente vitória.

Em primeiro lugar, acredito que, após o Egito, talvez a própria ideia de revolução sofra transformações, jogando por terra alguns antigos conceitos de mobilização social por meio de líderes carismáticos e/ou populistas. Tenho ácidas críticas a Arnaldo Jabor, mas ele foi muito feliz ao observar que é a primeira revolução sem um líder como Lênin ou Che Guevara e Fidel Castro.

Segundo ponto, além do Egito, outros países com maioria muçulmana estão em ponto de ebulição, como Argélia, Marrocos, Jordânia, Líbia e Iêmen, contestando monarquias ou governos ditatoriais. Veja o infográfico no link ao lado (Em espanhol): 

Ao tratar da onda revolucionária que tomou conta da Europa no séc. XIX, o historiador Eric Hobsbawm atribuiu o termo "Primavera dos povos". Estaríamos nós presenciando uma nova primavera dos povos, árabes muçulmanos? No momento em que este texto está sendo escrito, a Argélia também se prepara para um grande momento revolucionário! Vamos aguardar pra conferir...

Até aqui, o problema histórico das revoluções é o "Day After", isto é, os rumos tomados pelos novos governantes. Devido ao contexto histórico e à força demonstrada pela juventude, além é claro da conviente relação diplomática com os EUA, não acredito num governo radicalmente conservador, como no caso do Irã pós-1979.

Os militares assumiram o governo provisoriamente no Egito. Aqui no Brasil isso já aconteceu e não deu certo, pois o "provisório" dos militares durou de 1964 a 1985... Bom, como diz Hobsbawm, historiadores não são videntes, portanto, não são pagos para prever o futuro. rsrsrs

Esperemos para ver o desfecho dos próximos capítulos, com uma pontinha de inveja. Que esta força de mobilização social se espalhe pelo mundo e chegue aqui no Brasil, para que também nós derrubemos múmias que há tempos parasitam nossa política nacional.

Siga-me também no twitter! www.twitter.com/ale_historiador

Grande abraço a todos!

Alessandro Santana

3 comentários:

  1. Fernanda Karla @FILHADESEUBIU12 de fevereiro de 2011 12:36

    Parabéns Alessandro adorei a sua matéria rsrs!
    Sucesso!

    ResponderExcluir
  2. Usei para meu trabalho de história, nota 10 citei as fontes! :D

    ResponderExcluir