quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Entenda a crise entre as duas Coreias

A Coreia do Norte realizou disparos de artilharia contra uma ilha sul-coreana, perto da fronteira, voltando a elevar a tensão entre os dois países.
A Coreia do Sul respondeu também com ataques de artilharia e colocou o seu alerta militar no nível mais alto fora de um período de guerra.
O incidente está sendo visto como o mais grave desde a Guerra da Coreia, nos anos 50, e acontece após oito meses de tensão depois do afundamento do navio de guerra sul-coreano Cheonan.
A BBC Brasil preparou uma série de perguntas e respostas sobre a crise entre as duas Coreias.

O que motivou a troca de disparos?

Ainda não se sabe o que provocou os disparos de artilharia, mas a área da fronteira marítima entre as duas Coreias já foi palco de diversos embates no passado.
Antes do ataque, a Coreia do Norte havia protestado contra exercícios militares sul-coreanos que estavam sendo realizados na ilha de Yeonpyeong, onde agora vários prédios foram atingidos pela artilharia norte-coreana.

Como fica a situação entre os dois países depois do incidente?

Analistas dizem que qualquer reaproximação significativa entre Coreia do Sul e do Norte parece improvável no futuro próximo.
Antes da troca de disparos, havia sinais de que o governo norte-coreano tinha a intenção de se reconciliar com o vizinho do sul.
O país havia oferecido retomar o reencontro de famílias divididas, além de indicar que queria retomar negociações na área militar.
Já a Coreia do Sul mandou arroz para a Coreia do Norte pela primeira vez em dois anos, para ajudar a população atingida por inundações.
Mas não houve mais nenhum avanço significativo nas relações entre os dois países.
As negociações internacionais sobre o programa nuclear da Coreia do Norte continuam paradas, e a revelação no último fim de semana de que o país teria novas instalações para o enriquecimento de urânio tornou a retomada das conversas ainda menos provável.

Houve alguma razão para que a tensão entre as duas Coréias voltasse a aumentar?
 
Uma disputa sem resolução sobre o afundamento de um navio de guerra sul coreano neste ano deixou a relação entre os vizinhos - que permanecem tecnicamente em guerra -- na pior situação em muitos anos.
Na noite do dia 26 de março de 2010, o Cheonan, um navio de guerra sul-coreano, estava deixando a ilha Baengnyeong perto da fronteira marítima entre as duas Coreias no Mar Amarelo.
Uma explosão partiu o navio em dois e ele afundou. 58 marinheiros conseguiram escapar, mas 46 foram mortos.
Investigadores cogitaram que uma mina dos tempos da Guerra da Coreia pudesse ser responsável pelo incidente ou que a explosão tivesse sido causada por algum defeito no navio, mas acabaram concluindo que foi um torpedo disparado por um submarino norte-coreano que afundou a embarcação.
Eles dizem ter encontrado parte do torpedo no fundo do mar com uma inscrição atribuída à Coreia do Norte.

Qual é a posição da Coreia do Norte sobre o assunto?
 
A Coreia do Norte nega qualquer envolvimento no episódio. O país rechaçou a conclusão dos investigadores e pediu para conduzir sua própria investigação, o que foi negado por Seul.
As possíveis razões para o ataque não foram esclarecidas, mas uma das teorias indica que o ataque poderia ter sido uma forma de Kim Jong-il conseguir o apoio do exército no momento em que ele prepara seu filho para sucedê-lo.
Outras possibilidades colocam o ataque como uma ação unilateral do Exército ou ainda uma tentativa de forçar Seul a retomar antigas políticas comerciais e de auxílio ao vizinho do Norte.

Qual foi a reação internacional ao incidente com o navio?
 
Desde o início, Estados Unidos e Japão expressaram apoio a Seul e à declaração do Conselho de Segurança da ONU condenando a Coreia do Norte.
Após a declaração, os americanos começaram a realizar uma série de exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul no Mar do Japão.
Autoridades militares dos Estados Unidos dizem que os exercícios foram planejados como uma demonstração de força à Coreia do Norte.
O Japão também mandou militares para observar, o que indica um suposto apoio ao treinamento.
Os Estados Unidos também anunciaram sanções bilaterais, direcionadas ao comércio de armas e à importação de bens de luxo por Pyongyang.
Mas a China, o maior parceiro comercial e aliado da Coreia do Norte, tem constantemente pedido moderação.
Pequim tem evitado tomar medidas duras contra a Coreia do Norte, por querer impedir que o regime do país vizinho entre em colapso, levando a uma perigosa instabilidade e a uma onda de refugiados cruzando a fronteira.



Fonte: BBC Brasil, disponível no site da Folha

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sábado, 23 de outubro de 2010

As mil caras da revista Veja

  
Neste processo eleitoral ficou ainda mais nítida a manipulação das informações por jornais, revistas e emissoras de tv, de acordo com seus interesses. É certo ser impossível a total imparcialidade, pois de alguma forma ou outra sempre nos posicionamos, de acordo com o que vivemos e acreditamos ser certo. Entretanto, há uma coisa chamada ética, que é o limite entre o saudavel posicionamento e a manipulação da verdade para fins obscuros.

Recentemente, relatório da ONG Repórteres sem fronteiras apontou subida de 13 posições do Brasil no ranking mundial da "liberdade de imprensa", mesmo com todo discurso de parte da mídia acusando o governo de censura. Segundo a ONG, a melhora na lista ocorreu graças a uma "evolução favorável na legislação" do país. Confira a matéria na íntegra no site http://tinyurl.com/2w9ocwa

Isto é, aqui no Brasil há liberdade para a imprensa caluniar e manipular o quanto quiser, e é o que vem sistematicamente fazendo grandes grupos, como a Veja, Folha de São Paulo, Globo e Estadão, que pregam "independênca e verdade", mas são cada vez mais escravos dos interesses econômicos.

É consenso que hoje estes grupos não detém mais o monopólio da informação, e que a internet emerge como um lugar onde as "outras versões" podem ser expostas. Nem é preciso maiores comentários sobre as tags DilmafactsbyFolha, SerraRojas, boladepapelfacts e globomente, que bombaram no twitter como alguns dos assuntos mais comentados no mundo, satirizando e impondo grandes humilhações aos todo poderosos ex-donos da verdade.

Em relação à revista Veja, é simplesmente deplorável sua decadência. Ela jogou o que ainda tinha de credibilidade na lixeira a partir do momento em que se sujeitou a ser mero informativo semanal do PSDB/DEMO, postando matérias e capas que são descaradamente exploradas por José Serra em seu programa eleitoral. O mesmo vale aos outros grupos citados acima.

Recebi por e-mail dias atrás um material histórico riquíssimo, antigas capas da Veja, denunciando os inúmeros escândalos e corrupções que pipocaram nos 8 anos de governo FHC. Coisas que hoje nega, esconde, e cria a ilusão de que o PT "inventou" a corrupção no país.

Os assuntos são os mais diversos, desde os escândalos envolvendo ministros e senadores, propinas nas privatizações e para a reeleição de FHC, apagão, inflação, crise econômica, etc.. "Veja" só:

17/02/1995




29/11/1995

21/05/1997
 
19/11/1997

06/05/1998
 
05/11/1997

18/11/1998
Olha o Serra aí... mas ele não disse que nunca tinha se envolvido em escândalos?!
 
02/09/1998

05/05/1999
 
25/11/1998

Só para relembrar: Mendonça de Barros é aquele assessor de Geraldo Alckmin que defende a privatização da Petrobrás, Correios etc...




10/03/1999

21/01/1999
 
21/04/1999

09/06/1999
 
09/02/1999

28/04/1999
 
19/07/2000

 05/04/2000

09/08/2000
 
20/09/2000

 14/03/2001

02/05/2001

11/04/2001

16/05/2001
 
06/06/2001

29/05/2002
 
09/05/2002

E agora, a Capa Campeã – um resumo das práticas dos privatas e tucaneiros com o patrimônio público:

 

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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Uma noite em 64: A ditadura militar no Brasil

Madrugada de 31 de março de 1964, tropas do exército ocupam postos estratégicos em vários estados e exigem a deposição do então presidente, João Goulart. A verdade da manhã de 1º de abril, o Brasil já possuia novos governantes.

Engana-se quem pensa que os militares simplesmente organizaram as tropas e tomaram o poder, assim como que eles agiram sozinhos. Quem os conduziu ao poder foi a própria burguesia brasileira, medíocre e hipócrita, reagindo às transformações sociais do então presidente.
Para entendermos o golpe civil-militar de 64, é necessario primeiro voltarmos a alguns fatos que o antecederam:

1º O sistema eleitoral da época

Bem diferente de hoje em dia, o vice não era necessariamente do partido do presidente. Isto é, nas eleições, o mais votado se elegia tendo o 2º colocado como seu vice. Este sistema permitiu a bizarrice de termos, nas eleições de 1961, Jânio Quadros (União Democrática Nacional - UDN) e João Goulart (PTB). Em termos de hoje, imagine um governo composto por um presidente do PSDB e um vice do PT. Tinha tudo pra dar errado...


2º Jânio Quadros, o "presidente vassorinha"

O Brasil acabava de sair da Era JK, o "presidente bossa nova", um período de grande efeverscência cultural, desenvolvimento industrial e de astronômico crescimento da dívida externa. Desta forma, o demagogo Jânio Quadros se apresentou nas eleições de 61 com uma vassora, que usaria para "varrer" a corrupção do país, rejeitando a herança populista de Juscelino Kubtschek.

Vencendo, seu governo foi marcado por tantas trapalhadas que acabaram por desgasta-lo tanto entre os setores mais conservadores da sociedade brasileira, a quem representava, até o povo em geral.

Assim, numa jogada mal calculada, afirmou que reunciaria se sua aprovação popular não melhorasse. Obviamente o povo não o carregou em seus braços como previra, e ele teve que cumprir sua sentença.

3º Jango e as reformas de base

Com a renúncia de Jânio Quadros, naturalmente o poder passou para o vice João Goulart, conhecido como Jango. Herdeiro político de Getúlio Vargas, uma de suas primeiras ações foi lançar um projeto de "reformas de base", que incluíam o início de um processo de reforma agrária, distribuição de renda, além de várias mudanças sociais e políticas que visivelmente beneficiavam a população em geral. Jango também limitou a remessa de lucros das multinacionais para suas sedes, fortacelendo o operariado.

Jango passava longe do que na época era ser um comunista, mesmo assim a Direita brasileira, intimamente ligada aos interesses dos EUA, iniciou uma intensa campanha difamatória contra o presidente, ainda mais depois da aproximação comercial do Brasil com a China de Mao-Tsé-Tung.
Não pode ser desconsiderado aqui que estávamos no auge da guerra fria, e no ocidente eram difundidas as mais absurdas propagandas anticomunistas.

Receosos da dimensão que poderiam tomar estas medidas populares, parlamentares agiram rapidamente, impondo um plebiscito para trocarem o sistema presidencialista pelo parlamentarismo, onde o eles próprios governariam e o presidente seria apenas uma figura decorativa. No entanto, a população rejeitou este novo sistema, e Jango saiu fortalecido.

Não obstante, a campanha difamatória se intensificou, e a mídia alardeava que o país estava rumo a um governo comunista em que a população seria massacrada e a religião destruída. Acusações falsas brotavam a todo instante e eram exaustivamente exploradas pela impensa.

A paranóia chegou ao ápice em 13 de março de 64, quando cerca de 500 mil pessoas saíram às ruas do Rio de Janeiro na "marcha com Deus pela liberdade". O circo estava armado e a maioria dessas pessoas talvez nem desconfiasse ou sabia exatamente o que estava "combatendo", e que os militares já estavam prontos para assumir o poder.

4º "Lições" do golpe

É importante termos em mente que o golpe civil-militar de 64 não foi necessariamente dos militares, mas da burguesia brasileira. Os militares, convocados para "colocar ordem" no país, por outro lado, seguiram suas por outras trilhas e endureceram o regime em dezembro de 1968, quando através do Ato Institucional nº 5 (AI-5), mostraram a face mais cruel da repressão. Nesta época, o cidadão brasileiro tinha 3 opções: vivia como se nada estivesse acontecendo, fugia ou se exilava do país ou ficava na clandestinidade lutando contra o governo, colocando a própria vida em  risco nas mãos dos milicos militares.

No começo, essa elite fez vista grossa ao que estava acontecendo, dando total apoio aos desmandos do governo. Quando a situação mudou e o povo já não conseguia mais conter a insatisfação, ela colocou seu rabinho entre as pernas e se revestiu de libertadora, escondendo que fora ela própria que os havia conduzido ao poder.

Bom, este foi um texto bastante didático e sintetizado sobre um período tão nebuloso e cruel da nossa história, mas que precisa ser bastante compreendido para que não se repita. Preste atenção ao nosso moomento histórico, esteja sempre vigilante e tenha senso crítico em relação a tudo que lê e assiste. Ao ler as notícias, sempre questione: quem escreve, pra quem escreve, e com quais interesses escreve. Assim você saberá discernir  um jornalismo sério de outro que age em favor de interesses econômicos e, sem a mínima ética, descaradamente manipula a verdade e a população.

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Abraço!
Alessandro Santana

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Viva a Independência?!

"Independência ou morte!". Todos nós já ouvimos falar na escola de um heróico 7 de setembro de 1822, quando o valoroso D. Pedro I empunhou sua espada e nos libertou de Portugal.

Romantismos históricos à parte, é preciso desconstruir alguns mitos, o primeiro deles, em relação a "como" aconteceu esse fato histórico. Segundo aponta a historiografia recente, o real 7 de setembro de 1822 pouco tem a ver com o retratado nesta tela de Pedro Américo (a cima). D. Pedro e sua comitiva voltavam de Santos, onde o príncipe regente havia se encontrado com a bela Domitila, a Marquesa de Santos. Voltavam ao Rio de Janeiro quando, dizem, uma tremenda dor em sua nobre barriga (talvez tenha abusado dos espetinhos de camarão à beira da praia), obrigou Pedro a fazer um pit stop às margens do riacho Ipiranga.

Neste momento, emissários de seu pai, D. João VI, alcançavam a comitiva para entregar a mensagem do Rei. Ao ler, D. Pedro talvez tenha pensado "não quero voltar pra Portugal....". Pense no cenário. Ao invés de belos cavalos, suas montarias eram jumentos, mais apropriados aos desníveis e curvas do caminho; Ao invés de trajes de gala, vestiam algo parecido com guarda-pó; Aliás, até mesmo essa famosa comitiva era bem reduzida.

Isso é muito importante: 7 de setembro é apenas uma data simbólica. Quem na realidade articulou e financiou a separação entre "Brasil" e Portugal foi José Bonifácio de Andrada, juntamente com os senhores de engenho do nordeste, a quem mais interessava o fim das relações coloniais. Como príncipe regente, D. Pedro vislumbrou no movimento golpista uma possibilidade de assumir o poder por aqui sem precisar se submeter às ordens de seu pai, por isso foi colocado à frente.

Ao contrário de outro países, aqui não teve necessariamente uma "revolução". Nossa independência foi conquistada mediante pagamento de pesadas indenizações aos cofres de Portugal, e à repressão de isolados conflitos entre brasileiros e portugueses inconformados.

Você deve estar se perguntando, neste momento: "então esse 7 de setembro e o grito do ipiranga é uma grande mentira?". Eu te respondo: Mais ou menos. Mais do que nos separar de Portugal, era necessário criar uma nação e construir uma história - heróica - que justificasse este feito. Sem querer complicar muito, é o que a filósofa Marilena Chauí denomina "mito fundador".

"Independência" também é um termo um tanto questionavel, pois ficamos livres de Portugal, mas ficávamos cada vez mais dependentes dos interesses ingleses, e depois do $$$ dos EUA. Hoje o Brasil é independente?

Foi importante ficarmos "independentes" de Portugal? Claro que sim, isso é inegável. Entretanto, como você pode ver, isso foi um processo que pouco tem a ver com a heróica história tradicional tão propagada por professores e pela mídia.

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ALUNOS: RESPONDAM NOS COMENTÁRIOS A SEGUINTE PERGUNTA E GANHE UM PONTO EM HISTÓRIA COM O PROFº ALESSANDRO: ESCREVA UMA FRASE EM ATÉ 140 CARACTERES RESPONDENDO À PERGUNTA "O QUE É INDEPENDÊNCIA PARA VOCÊ"?
PS: NÃO ESQUEÇA DE SE IDENTIFICAR!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Ontem e hoje... a arte da guerra

"A guerra é uma questão vital para o Estado. Por ser o campo onde se decidem a vida ou a morte, o caminho para a sobrevivência ou para a ruína, torna-se de suma importância estudá-la com muito cuidado em todos os seus detalhes".
"O essencial da guerra é a vitória, e nunca as prolongadas operações. Como consequência, o general que compreende a guerra é o ministro do destino do povo e o árbitro do futuro da nação".
"Qualquer operação militar tem na dissimulação sua qualidade básica. A dissimulação é a verdadeira arte da guerra". 

Estes são ensinamentos do chinês Sun Tzu, há cerca de 2500 anos atrás. Como você já deve ter percebido, desde o início das primeiras civilizações o homem está em guerra, desde o neolítico, quando a luta se travava pelas privilegiadas regiões em torno dos rios Eufrates, Tigre e Nilo, até hoje nessa mesma região por terra, água e petróleo.

Ao longo da história, o mundo teve curtos e relativos tempos de paz, normalmente sob o medo de uma potência hegemônica, como a "pax" dos impérios romano e inglês. Hoje o mundo não está em paz, pois há conflitos espalhados por várias partes do mundo e, mesmo após a Guerra Fria, vivemos a iminência de uma guerra nuclear.
Entretanto, as concepções, táticas e instrumentos de guerra mudaram drasticamente desde os arco-e-flexas e, lanças e escudos. É impressionante como cada vez mais é potencializada a capacidade de destruição dos armamentos, sendo que o próprio Einsten certa vez teria dito que não sabia como seria uma 3ª guerra mundial, mas que a 4ª seria com  pedras e paus.
Nesse transcurso da história, não poderíamos deixar de citar figuras como Alexandre Magno, Julio Cesar, Napoleão Bonaparte e Adolf Hitler. Como o velho Jack (ou como o goleiro Bruno), vamos por partes.
Em pouco mais de 10 anos, Alexandre Magno anexou à Macedônia a Grécia, o Egito, a região da Mesopotâmia e todo o império persa. Sem nunca perder uma batalha, Alexandre ainda estendeu seu império até a Índia, onde fica doente e acaba morrendo.  

São essas prodigiosas vitórias que fazem Alexandre, de 1,30 m de altura passar para a história como "o grande". Com a chamada falange, ele é responsável por uma revolução na antiga arte bélica. Sua tática consistia em 16 linhas com 625 soldados cada, que avançam como uma muralha de pontas de ferro. Os homens das filas de trás tinham lanças mais longas (de até 6m) contra as quais nada podiam fazer as espadas curtas e as lanças de 2m da infataria tradicional. O próprio Alexandre, montado em seu cavalo Bucéfalo acompanhava seus homens em batalha.

Outro general que também se destacou, nem tanto por táticas mirabolantes, mas pela incrível capacidade de motivar seus soldados, foi o romano Julius Gaius Caesar. Com carisma comparado ao seu poder, ele foi uma das figuras mais contraditórias da história de Roma, sendo ou amado ou odiado. Após importantes vitórias na Gália, com seu poderio militar e grande admiração do povo, César começa a pressionar seu antigo aliado Pompeu Magno, então cônsul de Roma, finalmente vencendo-o numa batalha às margens do rio Rubicão. Supostamente, antes da batalha César teria dito Alea jac est, ou seja, a sorte está lançada. Acima está uma pequena amostra da tática conhecida como "tartaruga", onde cada soldado com seu escudo praticamente intransponível é responsável pela proteção do outro, fechando-se num casco quando sob ataque. Agora imagine milhares de legionários, subdivididos em unidades de 8 a 10 homens totalmente "blindados", se defendendo com eficiência e atacando com precisão e velocidade.

Já que falei do império romano, eu não dormiria tranquilo se também não citasse o brilhante general cartaginês Aníbal Barca. Quando Roma começou sua expansão via Mar Mediterrâneo, inevitavelmente entrou em choque com os cartagineses que habitavam o norte da África, nas chamadas "Guerras púnicas" (264 aC a 146 aC). Aníbal simplesmente assombrou os romanos marchando com um imenso exército de elefantes pelo Alpes e, com algumas alianças, pegando os romanos pela retaguarda. Entretanto, devido às dificuldades do caminho, muitos elefantes morreram e o enfraquecido exército cartaginês acabou sendo derrotado.

Bom, caminhando pela história até os séculos XVIII e XIX, chegamos no general corso (natural da Córsega, ilha francesa) Napoleão Bonaparte. Para alguns historiadores, foi um herói libertador, para outros um ditador, depende se você é francês ou britânico. Fato é que após chegar ao poder apoiado pela alta burguesia francesa afim de evitar um novo governo jacobino*, mudou complemente a configuração geopolítica da Europa, e depois dele nunca mais o mundo foi o mesmo.

Tendo como objetivo derrubar as monarquias absolutistas ainda vigentes na Europa e estender a hegemonia francesa sobre todo o continente, Napoleão conquistou grandes vitórias contra Itália e Espanha, sempre se destacando pela aguçada visão tática. No entanto, quando estava prestes a invadir Portugal, o rei D. João VI já tinha partido às pressas para o cá com parte da Corte. Se o rei português foi esperto ou covarde, é assunto pra outro post...
 
Uma inegável contribuição que fez à História foi  encontrar a chamada "Pedra de roseta" (à esquerda), em 1799 na campanha do Egito. Com ela foi possível um grande avanço na leitura dos hieroglifos e um maior entendimento da história egípcia.

Entretanto, Napoleão não era onipresente, não podendo estar ao mesmo tempo na França e nos territórios conquistado, colocando seu irmão José Napoleão como governante na Espanha. Mas José não tinha a mesma capacidade militar e constantemente lhe causava problemas.

 A primeira grande derrota de Napoleão foi em 1812, quando organizou uma imensa expedição para invadir a Rússia. Chegando à Moscou, encontrou a cidade vazia e totalmente sem suprimentos e viu seu exército literalmente congelar. O mesmo erro cometerá Adolf Hitler anos mais tarde, durante a 2ª guerra mundial.

Napoleão estava em posição extremamente delicada, lutando ao mesmo tempo em várias frentes e sem poder suficiente para proteger todos os territórios ao mesmo tempo, sendo forçado a renunciar em 1814 e exilar-se na ilha de Elba (não a Ramalho... piada horrível!). Mas ainda consegue fugir e organizar novo exército, sendo finalmente derrotado em junho de 1815, na batalha de Waterloo (Bélica). Aqui as batalhas já são à base de baionetas [rifles com lanças nas pontas] e canhões.

Apesar de todas as atrocidades cometidas pelo nazismo, é preciso dizer que Adolf Hitler foi quem inaugurou a concepção moderna de guerra. Nos anos 1930, enquanto França e Inglaterra ainda achavam que as trincheiras e fortificações da 1ª guerra ainda seriam suficientes para conter os alemães, Hitler inovou com a sua Blitzkrieg ou "guerra relâmpago". Num ataque coordenado entre uma infantaria fortemente armada, com apoio de imensos tanques Panzer e de uma poderosa força aérea (Luftwaffe) atacando e lançando soldados por trás das linhas inimigas, a Alemanha se tornou numa força indestrutível até 1942, quando a situação começou a complicar na batalha da Rússia.

Após a 2ª Guerra mundial (1939 - 1945) e a posterior bipolarização do mundo na guerra fria, arrastando o mundo para uma desenfreada disputa tecnológica, aeroespacial e militar entre EUA e URSS, os armamentos ficaram cada vez mais potentes e uma guerra nuclear se tornou perigo real.

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Abraços!

sábado, 19 de junho de 2010

Dê voz de prisão ao Paulo Maluf que há em você!


Dez entre dez brasileiros, se questionados, colocariam a corrupção como um dos maiores problemas do nosso país, se não o pior, pois dela decorrem todos os outros como a violência e a falta de condições dignas para a maioria da população.

Não somos os únicos e tampouco seremos os últimos a tratar desse tema. Talvez não na mesma escala, mas ela ocorre em todos os países do mundo, incluíndo os países "desenvolvidos" que nos servem de modelo.

Sabemos também que ela extrapola os limites da política, isto é, enquanto ficamos horas criticando nossos políticos - que nós mesmos escolhemos, fazemos as coisas mais absurdas no nosso cotidiano, tais como enganar os outros visando algum lucro ou benefício, furar filas, burlar uma ou outra regra, etc. A esse comportamento que nós chamamos carinhosamente de "jeitinho brasileiro", o historiador Sérgio Buarque de Holanda (pai do compositor Chico Buarque) atribuiu ao "Homem cordial". Segundo ele, os brasileiros usam essa máscara de cordialidade com o objetivo de conseguir tirar vantagem das mais diversas situações, mais que isso, também como uma forma de resistência às adversidades do dia-a-dia e dos sistemas políticos.

Em seu livro Raízes do Brasil, Sérgio Buarque procura compreender os traços históricos que formaram os brasileiros que somos hoje - recomendo a TODOS que leiam esse livro!. Para isso, busca no "estilo português" de colonização a origens de vários desses vícios. Compara o colonizador português ao espanhol, respectivamente o semeador e o ladrilhador, explicitando a total falta de planejamento urbano e econômico dos primeiros, sempre focados na exploração rápida e a qualquer custo.

Não me estenderei muito nesse ponto devido aos limites do blog, mas é por essa via que caminha o historiador, jurista, sociólogo e cientista político (Ufa... o cara é fera!) Raimundo Faoro. Em Os donos do poder, sua obra prima, mostra como esquemas de propinas, contrabandos e desvios de dinheiro, tão presentes nos nossos noticiários, também possuem raízes nos modos como o Brasil foi colonizado. Pra você ter uma ideia, era bastante comum pessoas venderem tudo em Portugal para comprar cargos de fiscais por aqui, pois o que compensava tal esforço não era a "remuneração" oferecida pela Corte, mas sim a participação no vistoso sistema corrupto colonial.

Essa explicação histórica da corrupção não pode, entretanto, servir de justificativa para a apatia do brasileiro frente à situação vergonhosa que vivemos. Ao invés de nos conformarmos com o "foi sempre assim", deveríamos pensar o que eu posso fazer pra mudar essa situação. Não é preciso que ninguém se sinta o próprio Zorro, mas que procure realizar a mudança a partir das pequenas coisas e atitudes, no nosso dia-a-dia.

Por isso o título desse post, inspirado na dissertação de uma aluna que tenho no 2º ano do EM. Analisando e propondo soluções para o problema da corrupção generalizada no país, com base nos pensamentos de Nicoloau Maquiavel (O príncipe) e Tomas Morus (A utopia), afirma que todos nós deveríamos ter um Thomas Morus dentro de nós, isto é, um bom senso que nos levaria a pensar as situações não sobre o prisma do lucro fácil, mas sim pelo da ética e da moral. Assim como não se começa uma casa pelo telhado, somente fazendo a nossa parte é que, a médio ou longo prazo, conseguiremos mudar a realidade do nosso país.

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Grande abraço!


domingo, 13 de junho de 2010

Faixa de Gaza, a Cuba do oriente médio




1º de janeiro de 1959: Lideradas por Fidel Castro e Ernesto "Che" Guevara, tropas guerrilheiras avançam sobre Havana e depõe o ditador Fulgêncio Bastista. Estava consumada a Revolução Cubana.
O que foi feito a partir deste momento, com o objetivo de manter ou não a revolução, merece muito questionamento e reflexão. Entretanto, não podemos perder de vista o que era Cuba antes do movimento revolucionário, um país com imensos cassinos luxuosos e um povo vivendo na miséria extrema.

Imediatamente à revolução, com a intenção de sufocar o recém instalado governo de Fidel, os EUA impuseram a Cuba um vergonhoso embargo econômico e político, proibindo todas as nações que lhe deviam obediência de se aproximarem do país caribenho. Até hoje o embargo assola o governo cubano, e nem mesmo o "progressista" presidente Obama sequer cogitou acabar com ele.

Estas ações, implementadas pelo presidente Dwigth Eisenhower (1960) e posteriormente ampliadas por J. F. Kennedy (1962) tinham um claro objetivo: isolar o governo cubano, fazendo a população perder a confiança em seus líderes. Entretanto, quanto mais os EUA afastava Cuba do "mundo ocidental", mas ela se aproximava da URSS [o mundo estava em plena Guerra Fria], fazendo o tiro, de certa forma, sair pela culatra.

Israel, por sua vez, tem uma ligação milenar com a região da Palestina, pra onde por volta de 2000 aC, Abraão conduziu seu povo para uma terra prometida. No entanto, ao longo da história, esta área foi abandonada várias vezes pelo povo hebreu, seja propositalmente ou devido a guerras. Desta forma, ao longo de séculos, hebreus (ou judeus) viveram espalhados por diversas partes do mundo, sem um Estado propriamente dito.

Esta situação mudou drasticamente após a II guerra mundial, quando cerca de 6 milhões de judeus foram exterminados pelo governo nazista. Isso facilitou uma antiga reivindicação dos movimentos sionistas do EUA e da Europa, e a recém criada ONU, em 1948, criou o Estado de Israel. O problema é que a região já era habitada por árabes, que foram obrigados a sair para a entrada dos judeus.

É claro que essa saída não foi pacífica, e para a consolidação de Israel foi necessária um série de guerras contra os países vizinhos, até que no final dos anos 60 grande parte da região, que pertencia a árabes havia sido anexada. Assim, estes árabes que literalmente sobraram na história, ficaram dispersos em duas áreas ao entorno de Israel, a Cisjordânia e a Faixa de gaza. Observe o mapa abaixo:


Para complicar ainda mais a situação, em 2002 Israel começou a construção de um imenso muro separando toda a extensa fronteira da Cisjordânia. Lógico que essa atitude foi prontamente condenada por pessoas que ainda mantém certo grau de sanidade, mas teve total respaldo dos EUA. A ONU se omitiu.

Pois bem, voltemos à análise da situação da Faixa de Gaza. Lá havia uma relação extremamente conflituosa entre árabes mulçulmanos e judeus, tornando rotina a explosão de uma ou outra bomba em qualquer parte.

Em 2007, no entanto, um grupo paramilitar chamado Hamas venceu as eleições em Gaza com um discurso contra a ocupação israelense, sendo que no ano anterior, no Líbano, outro grupo radical árabe havia chegado ao poder, o Hezbollah. Líbano e Gaza, portanto, passaram a ser duramente bombardeados por Israel. O "mundo ocidental" classifica esses grupos como terroristas. Entretanto, é preciso pensar essa situação a partir de um ponto de vista mais amplo e com um questionamento: quem é MAIS terrorista nessa história, israelenses ou árabes?

Aqui entra nossa comparação de Gaza com Cuba. Da mesma forma que os EUA, com o objetivo de isolar e derrubar o governo Castro em Cuba, Israel em 2006 isolou Gaza em função do Hamas. Assim, a região, já miserável, teve suas condições de vida drasticamente pioradas. Imporante deixar claro que tudo isso teve apoio das potêcias ocidentais e a omissão da ONU, assim como nos anos 60.

Desde então, praticamente a única forma de subsistência da maioria da população de Gaza é através de doações, principalmente da comunidade muçulmana. No link (http://www.youtube.com/watch?v=mjZ_7NT1gyE) você encontra o vídeo do covarde ataque israelense a navios humanitários que para lá levavam mantimentos, no último dia 31 de maio, deixando dezenas de feridos.

Apesar de não ser notícia nova o embargo e a ocupação israelense, este fato "despertou" a mídia internacional. Os principais líderes mundiais, como Obama, Sarkozy (presidente da França), Lula, a ONU, entre outros, foram enfáticos em condenar o ataque. Poucas vezes na história o mundo viu tanta hipocrisia! Até agora muito foi dito e nada de concreto foi feito... Passados alguns dias, parece que todos se "esqueceram" do fato, reciclaram os jornais de ontem e a situação voltou a ser o que era, MISERÁVEL.

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Abração!

Rocky Balboa!


Se um dia eu for chamado a fazer uma palestra motivacional um dos assuntos que com certeza falarei - além do impagável Joseph Climber, da "Companhia de Comédia os Melhores do Mundo" - será da trajetória de Rocky Balboa, interpretado no cinema por Sylvester Stallone. Superação é a marca que acompanha o "garanhão italiano" desde o primeiro filme, quando é um lutador que de repente se vê frente à grande chance da sua vida, ao sexto, quando já passando dos 60, retoma sua rotina de treinos para enfrentar um campeão mundial de pesos pesados odiado pelo público.

Muito mais do que apanhar e ficar desfigurado por seus adversários, Rocky a todo momento apanha da vida, da descrença em si mesmo, porém, invariavelmente aguentando ao menos até o último round.

Balboa e os adversários que enfrenta ao longo da sequência, como Apolo Creed (I e II), Clubber Lang (III) e o soviético Ivan Drago (IV) nos ensinam ainda que vencer é algo muito além do que ser campeão, pois de nada adianta a glória se ela é vazia de significado. Esta é claramente uma crítica ao "vencer a qualquer preço", também à ideia de que os fins justificam os meios (por não trazer Maquiavel para nosso texto?). 

Outra lição que também fica é o valor da família enquanto estrutura de qualquer pessoa. É nela, especialmente em sua esposa, Adrian, que Rocky sempre busca forças e onde o monstro dos ringues se revela um dedicado pai e um apaixonado marido. Bastante avariado pelos constantes golpes, é sempre Adrian a primeira a lhe dizer que sua vida vale mais do que todo dinheiro e fama do mundo.

O filme também é bem claro ao associar o sucesso dos atletas da URSS ao uso de esteróides, sendo que também os EUA são "recordistas olímpicos" em atletas pegos em exames antidoping. Se não tiver pelo menos um pouco de hipocrisia, não é filme americano!

Por fim, não poderia passar despercebido o contorno ideológico que ganha o 4º filme. Após ver seu amigo, Apolo Doutrinador, ser morto no ringue pelo lutador russo, o então atual campeão mundial Rocky Balboa é desafiado a uma revanche, só que desta vez em Moscou.

Rodado na década final da Guerra Fria, o filme tem o nítido objetivo de contrastar dois mundos distintos, o da liberdade e oportunidade (EUA) contra um frio e cruel país, onde as pessoas seriam vigiadas e controladas pela ditadura comunista (URSS).

Para se adaptar ao clima, Rocky vai treinar na Sibéria, sempre sob a vigilância dos agentes da KGB, o serviço secreto russo.

Rocky, usando bermuda com as cores da bandeira estadunidense, é odiado e xingado pelo público o tempo todo, sob os atentos olhares dos membros do Politiburo, o órgão central do governo soviético, enquanto leva uma baita surra. Entretanto, devido à sua fribra, até mesmo a platéia passa a gritar seu nome e, vencendo, é aplaudido em pé pelos figurões soviéticos.

Como eu disse, se não tiver hipocrisia não é um filme de Hollywood...

O que caracterizou o período da Guerra Fria (1947 - 1989) foi a disputa entre projetos de sociedade e entre os enormes egos de EUA e URSS. A mensagem do filme é clara: Nem mesmo a centralização de poder e o "jogo sujo" dos russos seriam capazes de vencer o poder de superação dos EUA.

Agora sim pra finalizar, uma pequena reflexão sobre o poder de transformação social do esporte. O exemplo de Rocky Balboa extrapola os limites do cinema, imitando casos reais como o do campeão Brasileiro Popó, que deixou uma infância extremamente pobre na Bahia para ganhar o mundo. No futebol também encontramos diversos casos de superação como o de Balboa, de atletas que com seu talento conquistaram inimaginável riqueza. Destes, alguns souberam aproveitar os tempos de fama, outros se perderam e voltaram para a pobreza, mas isso já é assunto para outro post...

Grande abraço!

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sábado, 15 de maio de 2010

To be or not to be, this is the question...


Somos donos do nosso próprio caminho? Ou por mais que lutemos, nunca sairemos do que já foi previsto para nós, isto é, estávamos predestinados a lutar até o fim? Eis a questão...


Na mitologia grega "destino" é uma das três moiras ou parcas (para os romanos), que com seus fios, na roda da fortuna, teciam a sorte dos homens e deuses, e a cortava quando bem entendesse. Nem mesmo o todo poderoso Zeus podia contra ela, pois qualquer coisa que fizesse alteraria de modo definitivo a sorte de todo universo.

Na filosofia também há um intenso debate em torno da questão do "livre arbítrio". Atualizando alguns questionamentos de Bento de Espinosa, como podemos ser livres para escolhermos o que queremos e como queremos, se a cada dia os cientistas descobrem em nosso DNA algum gene que nos faz propensos a fazer tal ação?

Bom, não é a primeira vez que me faço essas perguntas, mas, por mais imbecil que possa parecer, ela me voltou à tona assistindo o último filme da sequência clichê "Premonição". No filme, um rapaz tem uma visão sobre um grave acidente num autódromo, sanvando a si mesmo e várias outras pessoas de uma tragédia. Nem é preciso ter um dom especial para saber o que acontece em seguida, como em todos os outros filmes, a "morte" leva de forma ridícula cada um dos sobreviventes, na sequência em que deveriam ter morrido.
Tendo pistas sobre o próximo a ir para o "mundo de Hades", ele tenta a todo custo enganar a morte, aparentemente conseguindo, até que, instantes antes de ser atingido por um guindaste desgovernado, se dá conta de que tudo o que havia feito era a vontade do destino, que os conduzira até ali.

É exatamente nesse ponto que imagino nossa sociedade bastante próxima das da antiguidade. Assim como nós, por mais "desenvolvidos" que fossem, na falta de um conhecimento concreto, recorriam a explicações mitológicas e fabulosas, das quais hoje rimos e achamos imbecis, mas que fazemos igual. É muito comum as pessoas colocarem na conta de Deus, diabo ou ao destino seu sucesso ou fracasso, se omitindo de assumir a responsabilidade de construtor de seu próprio caminho, pois é muito cômodo e menos doloroso não encarar a vida como ela é. Bom, esse papo vai longe...

Abração!!!!

terça-feira, 4 de maio de 2010

"Agora falando sério"...

Agora falando sério
Eu queria não cantar
A cantiga bonita
Que se acredita
Que o mal espanta
Dou um chute no lirismo
Um pega no cachorro
E um tiro no sabiá
Dou um fora no violino
Faço a mala e corro
Pra não ver banda passar

Agora falando sério
Eu queria não mentir
Não queria enganar
Driblar, iludir
Tanto desencanto
E você que está me ouvindo
Quer saber o que está havendo
Com as flores do meu quintal ?
O amor-perfeito, traindo
A sempre-viva, morrendo
E a rosa, cheirando mal

Agora falando sério
Preferia não falar
Nada que distraísse
O sono difícil
Como acalanto
Eu quero fazer silêncio
Um silêncio tão doente
Do vizinho reclamar
E chamar polícia e médico
E o síndico do meu tédio
Pedindo para eu cantar

Agora falando sério
Eu queria não cantar
Falando sério
Agora falando sério
Eu queria não falar
Falando sério

(Falando sério - Chico Buarque / 1969)

Talvez não tenha sido essa a intenção do grande mestre Chico Buarque, em 1969, quando compôs essa música, mas vejo nela uma imensa vontade de chutar o balde geral, de mandar certas coisas e pessoas para aquele lugar bem longe onde a ponte se partiu... Pois é, algumas vezes é desta forma que me sinto.

Entretanto, Chico é o Chico, o cara é gênio! Só ele mesmo pra exprimir de forma tão categórica aquilo que aparece quando o sangue ferve e você se vê dando um golpe de kung-fu no tal fulano... hehehehe

Mas o negócio, para nós reles mortais, continua sendo o bom e velho contar até 10 (100 se precisar), imaginar a pessoa com nariz de bozo, dançando o rebolation ou pagando qualquer outro mico. Quando o sangue ferver, não esqueça, essas técnicas funcionam de verdade!.

Abração!!!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Aviso aos navegantes


Não faltam ideias, mas ultimamente está bastante difícil postar coisas novas no blog, pois meu finado computador passou desta para uma pior, num cemitério de sucatas...
Sabe como é vida de professor, né?! Só nos próximos meses é que poderei comprar outra máquina... Até lá, na medida do possível, vou atualizando meu orkut e meus blogs como puder...
Abração!!!

terça-feira, 6 de abril de 2010

¡PERO SÍ! ¡PERO NO!


¡Perón sí! Serra não!

Dizem por aí, que professor não tem ética, não!

Professor tem ética, sim!

Quem não tem ética, não, é o Serrão!

¡Perón sí! Serra não!

Quando mente pra educação e também pro povão

Quem não tem ética não, é o Serrão!

¡Perón sí! ¡Serra no!

Quando no senado põe dinheiro no cuecão!

Cuidado povão, na hora da votação!

¡Quién no tiene ética no, es el Serrão!

¿Quién dijo que Profesor no tiene ética no?

Professor tem ética, sim!

¡Perón sí! Serrão no!

E aí povão, como será a votação?

(Profª Francisca Siqueira - EE Joaquim Meirelles)

terça-feira, 30 de março de 2010

Notas importantes

Primeiro, não sou do sindicato nem represento bandeira de nenhum partido político, aliás, não concordo com muito do que vejo, justamente por isso não participo. Entretanto, estou numa situação em que simplesmente não posso me omitir, pois não consigo ver tanta injustiça e cruzar os braços, e união é algo indispensável neste momento.

Sou professor e estou pensando exlusivamente em melhoras nas condições para nós e para os alunos, luto por isso. Morrerei no dia em que deixar de acreditar nos meus sonhos e utopias.

Confesso também que as bombas e tiros lançados contra nós me fizeram nutrir uma "simpatia" maior em relação a José Serra, afinal não tenho sangue de rato nas veias.

Abraços!

domingo, 28 de março de 2010